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|Resenha| O Beijo No Asfalto

Depois de o meu irmão me perguntar sobre esse livro no ano passado, eu acabei ficando com ele na cabeça e resolvi reler para resenhar. A primeira vez que eu li ele foi provavelmente na metade do ensino fundamental como uma leitura obrigatória para a escola, mas me lembro de ter gostado bastante na época.

Desde então, não me lembro de ouvir muitos comentários sobre ele, mas enquanto andava com ele nas mãos durante os últimos dias para reler, todo mundo com quem eu encontrava tinha algo a dizer sobre o livro. As opiniões variavam, o que me fez ficar bem interessada sobre a imagem que as pessoas tem tanto sobre Nelson Rodrigues quanto sobre a imprensa.

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O Beijo No Asfalto, de Nelson Rodrigues é descrito como uma tragédia carioca e traz, na verdade, uma grande crítica à imprensa brasileira e a como todas as histórias são fabricadas.

O livro conta a história de Arandir, que vê um homem ser atropelado por um ônibus. Ao ser o primeiro a chegar ao acidente, o homem pede um último desejo final, que Arandir atende sem demoras, antes de falecer: um beijo na boca.

A trama se desenrola porque um jornalista, Amado Ribeiro, estava perto e viu toda a cena acontecendo. Se aproveitando da situação toda, o jornalista e um delegado, Cunha, se juntam para lançar uma série de matérias sensacionalistas sobre o ocorrido com o intuito de ganhar dinheiro às custas de uma mentira.

“Manja. Quando eu vi o rapaz dar o beijo. Homem beijando homem. No asfalto. Praça da Bandeira. Gente assim. Me deu um troço, uma ideia genial. De repente, Cunha, vamos sacudir esta cidade! Eu e você, nós dois! Cunha.”

Por se tratar de uma peça de teatro, o livro se torna uma leitura extremamente rápida. Além disso, tem apenas 79 páginas que são divididas em três atos. O primeiro é basicamente contando para o leitor sobre o tal do beijo no asfalto e como ele realmente aconteceu. Já durante o segundo ato, o autor explora a forma com a qual a sociedade reage a um beijo entre dois homens no meio da rua. Isso inclui todos que tem contato com Arandir, desde sua mulher, cunhada e sogro, até as pessoas do trabalho ou estranhos na rua/ônibus.

Tenho que admitir que achei esse livro sensacional. Principalmente por ele ser tão atual, mesmo tendo sendo escrito em 1960. Temas como a ética dos jornalistas vêm sido debatidos já há muito tempo e parece que ainda assim existem muitas matérias fabricadas ou sensacionalistas rodando nos jornais. É um dos motivos que faz com que a mídia se auto desvalorize, uma vez que várias pessoas sentem que não podem confiar no que lhes é mostrado. Sendo formada em jornalismo, esse livro teve um grande impacto em mim e sobre como pessoas que estudaram as mesmas coisas que eu se comportam na vida profissional.

Além disso, o livro também dá muito foco a outro tema recorrente: homossexualismo. Isso serve para mostrar, em primeiro lugar, como já é um tema debatido há um bom tempo e, em segundo lugar, como a nossa sociedade progrediu como um todo. Admito que estamos muito longe do ideal, mas só de perceber que algumas pessoas de gerações mais novas estão mais abertas a sexualidades diferentes das suas, fico pensando que qualquer mudança, mesmo que não seja total, deve ser considerada como boa.

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Nelson Rodrigues é famoso por conseguir colocar o dedo nas feridas da sociedade e expô-los assim como vê, sem nenhuma mudança para embelezar os fatos. O Beijo No Asfalto retrata muito também sobre como é o próprio autor.

Por fim, além de tudo isso, fiquei muito feliz em ver que há um novo musical sobre o próprio livro que se apresenta na próxima semana em Curitiba, como parte do Festival de Teatro de Curitiba. As apresentações serão na segunda e terça-feira, dias 28 e 29 respectivamente, na Ópera de Arame. Quem tiver interesse, pode conferir mais informações aqui no site. Pra fechar, fica aqui o clipe oficial de uma das músicas:

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|Resenha| Para Onde Ela Foi

Mesmo sem querer eu me via pensando de volta na história de Mia, em Se Eu Ficar, da Gayle Forman. Já disse em outro post que eu nunca tive curiosidade de ler esse livro mas que, depois que finalmente comprei, me surpreendeu muito positivamente. Foi uma leitura rápida e agradável e um livro com conceitos muito além do que eu tinha imaginado.

Essa aqui é a resenha da continuação desse livro, Para Onde Ela Foi. Então, se você ainda não leu Se Eu Ficar, eu recomendo ler antes de ver essa resenha aqui. Para saber um pouco mais sobre o primeiro livro, tem resenha aqui no blog.

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Para Onde Ela Foi é a continuação da história de Mia e Adam. No primeiro livro, Adam convence Mia de que ela deveria ficar e continuar vivendo, mesmo depois de ficar órfã e insiste que caso ela precise de espaço ou sinta que não quer continuar o relacionamento, ele aceita, apenas sabendo que ela está bem e viva.

O segundo livro começa três anos depois de Mia decidir ficar. Porém, as coisas não estão da forma como Adam imaginou que elas estariam. Mia agora é uma violoncelista formada na Julliard, morando em Nova Iorque e prestes a sair em turnê. Adam, por outro lado, mora na Califórnia com uma namorada nova e está em Nova Iorque para algumas entrevistas antes de também sair em turnê com a banda Shooting Star que finalmente está no topo das paradas.

A grande complicação é que, apesar de Adam finalmente ter alcançado a fama e o estrelato com o qual muitos sonham, ele conseguiu a um altíssimo custo. Tudo aconteceu a partir de um álbum que Adam escreveu inteiro sobre Mia e sobre como ele se sentia em relação a ela. Isso porque, depois de entrar no avião para Nova Iorque e Julliard, Mia nunca mais voltou. Ela partiu e nunca mais ligou.

“Deixar pra trás. Todo mundo fala como se isso fosse a coisa mais fácil. Abrir seus dedos um a um até sua mão ficar aberta. Mas minha mão ficou fechada num punho por três anos, e agora está bem fechada. Eu estou todo congelado. E prestes a apagar completamente.”

Traumatizado, Adam agora passa por seções de terapia e toma remédios para crises de ansiedade. Além disso, seu relacionamento com os amigos mudou bastante também, já que Adam agora é visto como um rock star recluso que prefere ficar em hotéis e cidades diferentes do resto dos integrantes.

É depois de uma entrevista traumática com uma jornalista bisbilhoteira que lhe pergunta sobre seu relacionamento com Mia que Adam surta de vez e sai andando pelas ruas de Nova Iorque. Então, ele acaba encontrando um teatro no qual Mia está fazendo um recital e decide assistir. Depois da apresentação, os dois se encontram para finalmente tentar entender o que aconteceu.

”Acabei percebendo que há uma grande diferença entre saber o que aconteceu e saber por que aconteceu, e acreditar nisso.”

O livro é escrito no formato do primeiro, com a diferença de que Se Eu Ficar é escrito no ponto de vista de Mia e Para Onde Ela Foi é a versão de Adam. Isso se torna muito interessante principalmente por Adam agora ter crises de ansiedade. Gayle Forman conseguiu descrever muito bem como um ansioso se sente e como lidar com situações de estresse pós traumático.

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Um ótimo romance de fácil leitura que te deixa ansiosa para o fim. É, na verdade, uma duologia sobre o poder do amor e sobre como ele é uma força que pode mudar uma pessoa, tanto para o bem quanto para o mal. Além disso, é uma ótima pedida para quem ficou com aquele gostinho de quero mais e curioso sobre qual seria a decisão de Mia depois de finalmente ter resolvido ficar.

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|Resenha| Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer

Já faz um bom tempo que eu estava atrás de Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer. Eu conheci esse livro primeiro como a indicação de praticamente todos os youtubers que eu gosto dizendo que esse livro era o melhor que eles tinham lido em muito tempo. Depois, eu vi no PopcornTime que ele já tinha uma versão em filme e fiquei bem curiosa. Quando eu descobri que podia retirar ele de graça com os pontos que tenho na Livraria Curitiba, não pensei duas vezes.

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Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer, do Jesse Andrews, conta a história de Greg, um menino de 17 anos que tem como o único objetivo de vida sobreviver sem ser visto durante todo o tão odiado ensino médio. Greg acredita que, se tiver pequenas conversas e dar oi para todo mundo mas nunca se aprofundar em nada, ele vai ser bem aceito por todos. Porém, isso também faz com que Greg não tenha nenhum amigo de verdade na escola. Isto é, com exceção de Earl.

Earl é um menino negro que tem uma família extremamente problemática; uma mãe que não sai de sites de encontro nem para trabalhar e meios-irmãos que as vezes vendem drogas para suprir a parte financeira da família. Greg considera Earl mais um “colega de trabalho” do que um amigo, principalmente porque quando estão juntos, gostam de fazer “remakes” de filmes famosos. Os dois meninos concordam que os filmes são horríveis, mas continuam fazendo e não mostrando para ninguém mesmo assim.

Durante seu último ano na escola, Greg é obrigado pela mãe a fazer visitas e ser um bom amigo para Rachel, que acaba de ser diagnosticada com leucemia. Mesmo contra sua vontade, Greg começa a interagir com Rachel e os dois, juntamente com Earl criam uma amizade. Com o tempo, Rachel vai piorando da doença e faz tratamentos como a quimioterapia, enquanto Greg e Earl fazem mais filmes para animar a menina que parece ser a única que realmente gosta dos remakes deles.

“- Oi.
– Ei.
– …
– Eu telefonei para o médico, e ele disse que você precisava de uma receita de Greg-acil.
– E isso é o quê?
– Sou eu.”

Esse livro não é um romance, como A Culpa É Das Estrelas. Ele gira em torno da amizade do trio e da grade dificuldade de Greg em ser uma pessoa sociável – já que fica claro desde o começo do livro que ele não é.

Um dos pontos interessantes do livro é o estilo da narração. O livro é escrito em primeira pessoa, com o ponto de vista de Greg. Além disso, ele não é uma narração contínua, visto que grande parte do livro é escrita por meio de diálogos longos, listas, entretítulos e até scripts de filmes. Isso tudo torna a leitura muito rápida e fácil, já que é muito bem espaçado.

“Então há uma chance de pensarem: ‘Sensacional! Vai ser uma história sábia e perspicaz sobre amar, morrer e crescer. Provavelmente vai me fazer chorar literalmente o tempo todo. Já estou muito empolgado!’ Se essa é uma representação fiel dos seus pensamentos, talvez vocês devessem jogar este livro na lixeira e, então sair correndo.”

Porém, mesmo com tudo isso, eu tenho que admitir que fiquei muito decepcionada com esse livro. Em uma melhor análise, a história é extremamente rasa e pode ser quase completamente descrita só por essa resenha aqui. Os personagens não tem nada de muito marcante ou diferente e o único que chega a chamar atenção em alguns pontos da narrativa é Earl. Também não há muita profundidade em histórias que poderiam ser melhor desenvolvidas, como a família de Earl ou a própria doença de Rachel, que é colocada em segundo plano.

Outra coisa que me deixou um pouco irritada nesse livro é o personagem principal. Além de ser extremamente egoísta e não fazer absolutamente nada para mudar isso, ele é colocado no livro como uma daquelas pessoas que faz piadas o tempo inteiro. O grande problema, para mim, é que eu não vi graça em quase nenhuma das piadas (ok, vou dizer que ri em duas ou três delas) e achei uma boa parte delas bem ofensiva. Foi um daqueles livros que eu, infelizmente, terminei de ler e não senti nada em relação a ele.

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Pooooor outro lado, o próprio autor do livro, Jesse Andrews, também escreveu a adaptação cinematográfica. E eu tenho que dizer isso, apesar de não ser perfeita (talvez porque me lembre muito um livro que eu não gostei tanto assim), é infinitamente melhor do que o livro. No filme, Greg não aparenta ser tão egoísta e Rachel se torna uma personagem com muito mais profundidade e ganha mais destaque. Pra quem ficou curioso, fica aqui o trailer:

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|Resenha| The Wrath and The Dawn

Acho que quem vem acompanhando o que eu ando lendo já percebeu que eu ando na minha fase de retellings. Eu simplesmente não consigo resistir à um livro que conta de forma um pouquinho diferente uma história clássica que eu já conheço. E esse livro aqui não foge à essa regra, é um retelling de As Mil e Uma Noites, um conto lá da antiga Pérsia que todo mundo conhece mas não sabe que conhece.

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The Wrath and The Dawn (A Ira e O Amanhecer), de Renée Ahdieh, conta a história de um rei que casa com uma menina nova a cada noite e a mata no amanhecer do dia seguinte com uma corda no pescoço. As meninas são escolhidas aleatoriamente e, uma vez que convocadas, não há volta. Essa situação já acontece há algum tempo e ninguém parece ter uma boa explicação para isso além da de que o rei de 18 anos, Khalid, é um monstro.

A história começa quando Shahrzad decide se voluntariar para ser a próxima vítima do rei. Ela faz isso por dois motivos: o primeiro é que ela pensa ter uma solução para viver mais do que uma noite no palácio; e o segundo é porque Shahrzad, ou Shazi, quer vingar sua melhor amiga que foi escolhida para casar com o rei e morreu há algumas semanas com a corda no pescoço.

Shazi nos é apresentada como uma personagem principal extremamente forte. Além de ter uma cabeça bem focada e não ter medo de falar o que pensa, ela é excepcional no arco e flecha e possui reflexos rápidos. Todo esse conjunto faz com que ela se sinta segura de que consegue matar o rei. Até o momento em que ela chega no palácio e descobre que, na verdade, o rei é o segundo melhor espadachim do reino – o que dificulta um pouco seu plano.

Assim que a primeira noite chega, Shazi finalmente se vê sozinha com o rei e, para prender sua atenção durante os momentos que antecedem o amanhecer, ela resolve lhe contar uma história para passar o tempo. É nesse momento em que ela conta uma fantástica aventura sobre um ladrão que escapa de um reino e acaba achando uma lâmpada em uma ilha amaldiçoada. Quando chega no ponto da história em que descobriremos quem é o ladrão, o dia amanhece e Shazi para de contar a história, dizendo que só iria continuar na noite seguinte. Intrigado pela situação e curioso pela história, o rei permite a Shazi mais um dia de vida, fazendo com que ela seja a primeira mulher a sobreviver mais de uma noite.

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As noites seguintes vão se desenrolando da mesma forma, enquanto Shazi tenta arquitetar um plano para matar o rei e vingar sua amiga. Enquanto isso, sua convivência no palácio acaba mudando o comportamento do rei e eles passam a se conhecer melhor. Então, tudo o que parecia muito simples e claro na cabeça de Shazi passa a mudar para uma história cheia de segredos e explicações que fazem a menina repensar tudo o que sabia até então.

“O que você está fazendo comigo, sua praga de menina?” ele sussurrou.
“Se eu sou uma praga, então você deveria manter distância, a não ser que você planeja ser destruído.” Com as armas ainda em seu aperto, ela as empurrou contra o peito dele.
“Não.” As mãos dele desceram para a cintura dela. “Me destrua.”

É um livro encantador e muito difícil de largar. A autora escreve com tanta facilidade e criou novas explicações para uma história tão antiga que é quase uma narrativa inteira nova. Além disso, todas as descrições de roupas, cenários e até comidas remetem muito à cultura oriental e mostram a real beleza por trás de todo o Oriente Médio.

Os diálogos entre os personagens também são muito bem construídos, sendo que Shazi sempre tem uma resposta rápida e inteligente para tudo o que lhe falam, nunca tendo medo de falar qualquer coisa que pense, nem com o inimigo ou pessoas que nem conhecem. É assim que a personagem se torna um ícone em termos de força feminina e mostra que nada é impossível.

“Algumas coisas existem em nossas vidas por apenas um breve momento. E nós precisamos deixa-las ir para iluminar outro céu.”

Os personagens secundários, porém, não tem tanto destaque quanto eu gostaria que tivessem, mas imagino que isso aconteça apenas no primeiro livro. O segundo livro da duologia sai nos Estados Unidos esse ano ainda e imagino que ele vá explorar os outros personagens e mostrar como suas histórias vão interferir no romance desenvolvido entre Shazi e Khalid.

“Amor é – uma sombra do que eu sinto.”

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Por fim, acho legal mencionar uma coisa que talvez nem todo mundo saiba: no conto original de As Mil e Uma Noites, a personagem de Shazi mantém o rei entretido lhe contando histórias durante noites e é daí que surgiram narrativas famosas que conhecemos até hoje, como Aladdin e a lâmpada mágica, Ali Babba e os quarenta ladrões e Simbad, o rei dos mares. Achei muito interessante que sejam histórias dentro de outra história e, em The Wrath and the Dawn, Shazi também nos conta outras versões destas histórias clássicas.

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Infelizmente, The Wrath and The Dawn não tem previsão de lançamento aqui no Brasil ainda, apesar de o segundo livro ser publicado esse ano nos Estados Unidos. Para quem tem interesse em ler em inglês, a linguagem é um pouco mais complicadinha, mas o próprio livro tem um glossário dos termos orientais no final para te situar um pouco melhor. Oremos para que alguma editora também se encante por essa história linda e traduza logo!

 

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|Resenha| O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares

Esse livro é diferente de tudo o que eu já li. Antes de comprar ele, eu achei que era de terror. Depois, quando comecei a ler, achei que poderia ser suspense. Lá pela metade eu já tinha certeza que não era terror nem suspense, mas não tinha um bom palpite ainda. Eu terminei tudo sem saber o que dizer; romance? Aventura? Um pouco de Tim Burton? Peter Pan e as crianças perdidas? Mistério? Não, acho que só tem uma palavra boa o suficiente para descrever: Peculiar.

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares não é nada do que você imagina que vai ser, por mais criativo que você seja. É um daqueles livros que te pega de surpresa e te deixa preso nele até o final só pra você descobrir se estava certo ou não e de que forma essa maluquice toda vai acabar.

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O livro conta a história de Jacob e de seu avô paterno, Abraham. Abe, como é conhecido, mora em uma cidadezinha quente do interior da Flórida em uma casa separada do filho e do neto. Ele tem a fama pela cidade de ser completamente maluco e mal compreendido pelas pessoas da sociedade e de sua família, mas não pelo seu neto.

Jacob sempre idolatrou o avô, desde criancinha. Toda essa admiração vem de quando Abe contava histórias fantástica sobre como era viver no orfanato da Srta. Peregrine durante grande parte de sua infância. Sendo um polonês refugiado da Segunda Guerra Mundial em uma pequena ilha afastada do País de Gales, Abe morava em um orfanato onde as crianças não eram normais, cada uma tinha uma peculiaridade, como levitar, ser invisível ou controlar o fogo.

Porém, depois de uma conversa séria com seu pai, Jacob começa a crescer e desacreditar nessas histórias fantásticas e passa a ver o avô como um heroi de guerra que perdeu a família inteira muito cedo e teve que fugir e recomeçar uma vida nova em outro lugar. Ele ainda admira muito o avô também por colecionar fotografias bizarras e inventar histórias para mascarar o passado triste que viveu.

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo.”

A trama começa a se desenrolar de verdade quando Jacob recebe um estranho telefonema no trabalho de seu avô, completamente perturbado, insistindo que alguém tinha o encontrado e que todos deveriam manter a distância. Depois da segunda ligação, Jacob resolve ir até a casa de Abe e ver o que está acontecendo. Porém, quando chega lá, encontra o avô morto em um bosque atrás da casa, quase completamente mutilado. É uma cena muito além de sua imaginação e, ao olhar para o lado, Jacob vê uma criatura que se assemelha à um humano, mas que tem tentáculos saindo de sua boca.

Traumatizado com toda a situação e depois de várias sessões de terapia, Jacob passa a se perguntar se todas as histórias do avô não teriam, afinal, um fundo de verdade. Seguindo pistas, cartas e fotografias deixadas pelo avô, Jacob embarca em uma viagem tanto para conhecer melhor o passado do avô quanto para entender a si mesmo. Ele vai para o País de Gales atrás do misterioso orfanato e encontra muito mais do que poderia esperar encontrar e se vê preso em uma história muito, mas muito peculiar.

“Mas o que eu realmente achei assustador não foram as bonecas zumbis ou os cortes de cabelo estranhos das crianças ou como elas pareciam não sorrir nunca: quanto mais examinava as fotos, mais familiares me pareciam.”

O livro tem um desenvolvimento incrível, principalmente por usar um pouco de suspense e mistério para deixar o leitor cada vez mais curioso para entender o que, afinal, está acontecendo. Enquanto eu lia, tudo o que eu conseguia pensar era em quanto esse livro me lembrava obras do Tim Burton, que sempre cria mundos onde não há terror, mas sim uma mistura bizarra de elementos aleatórios de suspense e peculiaridade que se encaixam curiosamente bem.

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O grande bônus do livro vai, além das ótimas descrições de cenários, para as fotos que completam a narrativa. Durante todo o livro há fotos de todos os personagens peculiares que são descritos para completar o tom sombrio da narrativa.

“Sempre soube que era estranho. Nunca sonhei que fosse peculiar.”

Esse é apenas o primeiro livro de uma trilogia que já foi publicada na íntegra nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a Editora Leya acabou de publicar o segundo, Cidade dos Etéreos em uma edição linda de capa dura.

Também não posso deixar de comentar a maior peculiaridade desse livro e que mais me chamou a atenção: a forma como ele foi escrito. O autor, Ransom Riggs, na verdade colecionou essas tais fotografias super bizarras e, depois de ter várias, ele escreveu toda a narrativa dos três livros baseada nelas, dando uma história para cada uma dessas pessoas que apareciam nas imagens. Legal, né?

Outra novidade incrível sobre esse livro é que foi feita uma adaptação cinematográfica que estreia esse ano ainda. E adivinhem só quem assumiu a direção do filme? Isso mesmo, ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Tim Burton. Realmente não consigo ver outro diretor que iria transformar esse livro em filme melhor do que ele, o que me deixa muito ansiosa para o filme. O elenco conta também com a participação de muitos atores bons e conhecidos, com destaque para Samuel Jackson. Pra quem ficou curioso, fica aqui o trailer:

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Dia da Mulher

Esse post aqui é um tópico de extrema importância pra mim: hoje é o dia da mulher. Não é só mais um dia qualquer, mas um dia em que o mundo inteiro para e pensa na importância feminina e no papel da mulher na sociedade. Sei que ainda existem muitas coisas erradas e que não é da noite pro dia que vamos mudar essa mentalidade, mas fico muito feliz em ver certas coisas lentamente tomando um rumo mais justo e igualitário.

Uma das coisas que sempre me incomodou nisso tudo é refletido nos livros: eu cansei de ler histórias com personagens principais femininas fracas. Gente, parece que a grande maioria das meninas nos livros tem uma tendência a choramingar o livro todo, não tem coragem de falar ou de agir e fica dependendo de homens para fazer qualquer coisa.

Porém, se eu for comparar com livros da minha infância, do tipo O Diário da Princesa e Crepúsculo, é muito bom poder dizer que as coisas finalmente estão mudando. Agora eu consigo identificar personagens fortes de livros de fantasia, principalmente, nos quais as mulheres são impulsionadas por ninguém mesmo do que elas próprias, salvando todas as suas famílias e interferindo no curso dos homens. É disso que as pessoas precisam: personagens fortes que inspirem confiança e mostrem que sim, we can do it!

Para comemorar esse dia maravilhoso então, eu selecionei cinco livros nos quais eu identifiquei as melhores personagens femininas que mostram do que as mulheres são capazes.


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1. Corte de Espinhos e Rosas – Sarah J. Maas

Sarah J. Maas é uma das autoras que melhor representa mulheres fortes na minha opinião. Nesse caso, o livro é um retelling de A Bela e a Fera e a personagem principal, Feyre, é uma versão melhor desenvolvida da Bela. Além de ser uma caçadora e a única fonte de esperança para que a família possa comer, depois de matar acidentalmente uma fada, Feyre tem que suportar ser carregada para o território das fadas e pagar a vida que tirou com a própria enquanto prisioneira. Pelo bem de sua família, Feyre faz tudo isso de cabeça erguida e nunca desiste de tentar voltar para casa e continuar a cuidar de todos. Mesmo no clímax do livro, ela ainda mantém todos os seus princípios e honra. Pra quem quiser saber mais, tem uma review completa aqui.

 

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2. Trono de Vidro – Sarah J. Maas

Mais uma vez, a mesma autora conseguiu deixar os leitores ansiosos pela marcante personagem principal. Celaena Sardothien é uma das melhores assassinas do reino e finalmente, depois de presa, passou um ano inteiro em uma prisão de segurança máxima. Ela consegue uma liberdade parcial quando o Príncipe Dorian lhe oferece uma proposta: competir com outros mercenários para se tornar o assassino do Rei e fazer seu trabalho sujo ou continuar na prisão. Celaena aceita o acordo, já que depois de trabalhar para o Rei por quatro anos, poderá ser livre novamente. É uma personagem forte tanto fisicamente quanto mentalmente e mostra que não é só porque uma menina sabe lutar e se defender que ela perde a delicadeza e a sensualidade da mulher.

 

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3. Cinder – Marissa Meyer

Cinder é um daqueles livros que mistura de tudo um pouco: distopia, extraterrestres, robôs, política e contos de fadas. Baseado na história da Cinderella, a personagem principal, Cinder, é um ciborgue que trabalha na oficina da família quase como escrava enquanto a madrasta e as duas irmãs vivem às suas custas. É na oficina que ela conhece o príncipe Kai e eles vão se apaixonando lentamente enquanto Cinder tenta descobrir quem realmente é e como sair dessa confusão toda sem mostrar para o príncipe que ela é, na verdade, um ciborgue. Cinder é uma daquelas princesas que não tem medo de fazer as coisas. Nos outros livros da mesma série então, é possível ver um desenvolvimento incrível da personagem que, cada vez mais, faz as coisas por si só e é muito mais poderosa do que imaginava.

 

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4. Uma Chama Entre As Cinzas – Sabaa Tahir

Esse livro é uma distopia na qual Laia, uma menina da parte pobre da sociedade e oprimida pelo Imperador, se junta à rebelião e se infiltra na academia dos soldados para encontrar seu irmão mais velho que foi sequestrado. Laia inicialmente é uma menina sem muita força, mas ela desenvolve muito esse lado enquanto trabalha como espiã e sofre alguns episódios de tortura física e mental sem deixar que ninguém desconfie de sua verdadeira natureza. Além disso, também vale destacar Helene, uma personagem secundária, mas que mostra o poder da mulher. Helene é a única mulher na academia e mesmo assim consegue ficar entre os quatro melhores de todos os soldados, sem nunca abandonar seus valores, princípios e amigos.

 

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5. Feita de Fumaça e Osso – Laini Taylor

Essa narrativa incrivelmente linda tem se tornado facilmente uma das minhas favoritas. A personagem principal, Karou, dedica sua vida à proteger a família de demônios e trabalha para eles coletando dentes pelos quatro cantos do planeta. Ela lida com os piores tipos de pessoa e não se deixa abalar ou distrair de seu objetivo principal. Na verdade, Karou é também a reencarnação de outra personagem fantástica, Madrigal. Uma chimera ressuscitada em corpo de humana, Madrigal foi uma grande guerreira em sua época, além de muito linda e desejada. É unindo o espírito de ambas guerreiras e mulheres fortes que o livro se desenrola e cria uma personagem feminina fantástica.

 

Ficam por aqui, então, meus 5 livros selecionados com as melhores personagens femininas para esse dia. E você, qual outra personagem te inspira dentro da literatura?

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|Resenha| Como Eu Era Antes de Você

Hoje eu vim contar pra vocês sobre o meu livro queridinho do ano. Foi o primeiro livro que me fez chorar copiosamente na vida. Eu já tinha derramado algumas lágrimas em outros livros, mas não foi nada parecido com esse romance incrível que eu nem sei bem como descrever.

Como Eu Era Antes de Você, da Jojo Moyes, conta a história de Louisa Clark. Uma mulher de 26 anos que aparentemente não tem nada de especial. Ela mora com os pais, a irmã e o sobrinho em uma cidadezinha pequena no interior da Inglaterra, tem o mesmo namorado há 7 anos e trabalha servindo cafés no mesmo lugar há 6.

Nada disso parece importar no começo, já que Louisa está acostumada e feliz com sua rotina. Tudo isso muda, porém, quando o café onde ela trabalha, fecha, e Louisa se vê forçada a encontrar outro emprego para ajudar a sustentar a família. Depois de tentar experiência em vários lugares e sair de sua zona de conforto, ela finalmente encontra um emprego como cuidadora de um homem tetraplégico, Will Traynor.

Will tinha sido, no passado, um homem atlético e extremamente ativo na sociedade. Morava em Londres, longe dos pais e perto de uma namorada modelo. Tinha um emprego vendendo grandes empresas que lhe proporcionava bastante dinheiro e passava o tempo livre viajando e praticando esportes radicais.

É depois de sofrer um acidente com uma moto que Will fica tetraplégico e tem que voltar para a casa dos pais no interior da Inglaterra e abdicar do emprego, namorada e casa. Agora, Will depende de cuidados médicos intensos e outras pessoas para fazer as tarefas mais simples. Toda essa situação transformou um homem que antes era charmoso e agradável em uma pessoa amarga, rude e mal humorada.

É no meio dessa confusão toda e depois de várias tentativas que Louisa finalmente passa a cuidar de Will, mesmo ambos tendo que lidar diariamente com as trapalhadas de Louisa e a ironia de Will. Eles vão lentamente se apaixonando entre desastres e conversas.

“É isso. Você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total incapacidade de disfarçar o que sente.”

O grande problema disso tudo chega quando Louisa descobre que Will tem um grande plano para acabar com toda a própria dor e restam a Louisa apenas 6 meses de contrato para tentar ajuda-lo e mudar sua cabeça.

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Durante essa história, são mostrados claramente dois pontos de vista opostos mas muito importantes. De um lado, Louisa nos apresenta a beleza da vida, mostrando que sempre há um lado bom para ser comemorado, mesmo em situações injustas. Do outro, Will explica que viver sem se arriscar ou sair da sua zona de conforto também não é exatamente uma vida. Will constantemente diz para Louisa que ela não deveria estar contente com a situação em que está, ela deveria almejar por coisas maiores e conquistar o mundo. É o conflito de dois personagens tentando sempre mostrar que, de uma forma ou de outra, viver é a essência de tudo.

”Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível.”

O livro inteiro é perfeitamente desenvolvido. Ao longo deles, também somos apresentados às famílias do casal e aos diferentes pontos de vista da situação toda. Will e Louisa ambos são personagens que crescem muito e se desenvolvem durante a narrativa, ao mesmo tempo em que dividem seus anseios, sonhos, passados e futuros.

É um daqueles livros que te pega de supetão e te faz pensar em um tema novo e inusitado que você normalmente não pensaria sozinho, como a tetraplegia. Eu, por exemplo, tenho que admitir que nunca tinha pensado muito na condição de uma pessoa que vive o tempo todo em uma cadeira de rodas e em quais dificuldades eles devem ter diariamente.

Eu também já tinha visto um filme francês uma vez, chamado Os Intocáveis, que trata da mesma temática. Porém, Como Eu Era Antes de Você atinge novos níveis de profundidade e mostra também o lado não tão bonito da tetraplegia e as tristezas que não só a pessoa, como toda a família e amigos que convivem com isso, sofrem ao longo dos anos.

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Jojo Moyes representa muito bem em uma leitura cativante a batalha constante e várias dificuldades encontradas pelos personagens. É um daqueles romances que vai te fazer arder os olhos e soluçar de tanto chorar, mas ao mesmo tempo também aquecer seu coração. Um romance inesquecível que você vai carregar sempre juntinho com você e não vai largar até terminar a última página.

”Alguns erros… apenas têm consequências maiores que outros. Mas você não precisa deixar que aquela noite seja aquilo que define quem você é.”

Para fechar a resenha sobre o livro que tem potencial para ser o melhor romance do ano e ainda não saiu da lista dos mais vendidos nas livrarias, tem mais uma novidade incrível: esse ano ainda estreia o filme de Como Eu Era Antes de Você. Sam Claflin (o Finnick, de Jogos Vorazes) interpreta o amargo Will Traynor e Emilia Clarke (Daenerys, de Game Of Thrones) assume o papel da atrapalhada Louisa Clark. Outros membros do elenco também são conhecidos por Game Of Thrones e Downton Abbey. Já podemos esperar coisas incríveis desse filme só pelo trailer, que me fez chorar sete vezes seguidas enquanto assistia e suspeito que se eu assistir mais uma vez, ainda derrubaria algumas lágrimas. Pontos extras importantíssimos pelo melhor uso da música Photograph, do Ed Sheeran. ❤